O presente texto parte de uma inquietação de fundo, a de que o debate entre criacionismo e evolucionismo é, em boa medida, um problema epistemológico mal formulado, ou melhor, um problema que frequentemente se recusa a ser formulado como tal. Tanto o criacionismo de certas vertentes evangélicas/protestantes quanto o ateísmo militante de alguns divulgadores científicos cometem erros simétricos, o de tratar questões de convicção como se fossem questões de evidência, e o de tratar evidências como se fossem convicções. A obra de José María Castillo, Jesus: a humanização de Deus, oferece, nesse contexto, um instrumental conceitual preciso e raras vezes explorado fora dos círculos da teologia acadêmica. O que Castillo elabora no capítulo inaugural do livro, a distinção entre ‘conhecimento’ e ‘convicção’, não é um argumento apologético, é uma contribuição epistemológica que, rigorosamente aplicada, tem consequências para o debate público sobre religião e ciência.

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Creio que estamos vivenciando um momento raro nas variadas bolhas do WhatsApp e nas redes sociais como Facebook, Instagram, TikTok e LinkedIn, entre outras. O assunto do momento, o famoso hype, como se diz no jargão popular, é uma cientista que teria inventado algo capaz de fazer pessoas em cadeiras de rodas voltarem a andar. O tema se espalhou a ponto de chegar ao mercado da cidadezinha onde vivo, onde ouvi pessoas comentando sobre isso. Na verdade, ouvi falar pela primeira vez numa torrefação de café, daquelas que vendem grãos torrados ou moídos na hora.

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O texto apresenta um estudo sobre o neoplatonismo tardio, focando na obra e filosofia de Proclo. Ele compara o pensamento de Proclo com o de Plotino, destacando as diferenças em suas abordagens metafísica, epistemológica e ética. A análise explora conceitos chave como a processão e reversão, a participação, as hênadas e a teurgia, demonstrando como Proclo integra a filosofia com a religião e a tradição mística. Finalmente, o texto contextualiza o neoplatonismo tardio no cenário socio-religioso da antiguidade tardia, mostrando sua adaptação e influência.

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Produções Acadêmicas e de divulgação científica em 2024 Cídio Lopes de Almeida Doutorando em Ciências das Religiões Faculdade Unida de Vitória, ES, Brasil Bolsista FAPES (nov. 2023 – nov. 2024) Publicações em Jornais Jornal virtual Mindel Insite, sediado na cidade de Mindelo, Ilha de São Vicente, Cabo Verde. – ALMEIDA, Cídio Lopes de. Da Inteligência Artificial à diminuição da inteligência analógica e orgânica. 15 de out. 2024. Mindelinsite. Mindelo, Ilha de Santiago, Cabo Verde.…

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O livro “Salazar e a revolução em Portugal”, de Mircea Eliade, é uma análise da história política de Portugal desde o século XIX, explorando a transição do país para um regime republicano e as forças políticas que moldaram essa mudança. O texto também explora a ascensão ao poder de Salazar e a implementação do Estado Novo, um regime ditatorial fundamentado em ideais cristãos católico apostólico romano, focando-se nos princípios corporativistas e espirituais que moldaram seu governo.

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A obra de Enrique D. Dussel, um filósofo argentino, argumenta que a Modernidade, apesar de sua pretensão emancipadora, se baseia em um mito eurocêntrico que justifica a violência e a exploração. Dussel analisa como o “descobrimento” da América e a conquista do continente pelos europeus foram fundamentadas nesse mito, através do encobrimento do “outro” – os povos indígenas – e da projeção de uma “imagem e semelhança” europeia sobre eles. O autor explora diferentes aspectos da conquista, como o “descobrimento”, a “conquista espiritual” e a “colonização”, mostrando como cada etapa se justificava pelo mito da superioridade europeia e da necessidade de “civilizar” os povos considerados bárbaros. Dussel contrasta essa visão eurocêntrica com a cosmovisão de culturas indígenas como os guaranis e os astecas, evidenciando a riqueza e a complexidade de seus sistemas de conhecimento e de suas concepções de mundo. Ele propõe uma “trans-modernidade”, que supera o mito da Modernidade e busca a emancipação do “outro”, reconhecendo sua alteridade e a necessidade de construir uma nova forma de pensar e agir no mundo.

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A obra de Mircea Eliade, A Nostalgia das Origens, que argumenta que a busca pelas origens, um tema recorrente na história intelectual ocidental, é influenciada pela experiência do sagrado e pela nostalgia pelo “primordial”. Eliade examina diversas culturas, como os Dayak, os aborígenes australianos, os Guaranis, os indígenas norte-americanos, os Iroqueses, os Pueblos, os Maidu, os chineses e os indianos, analisando seus mitos e rituais para demonstrar como o conceito de dualismo, com seus pares antagônicos e complementares, desempenha um papel fundamental na compreensão do mundo e da condição humana. Através de exemplos específicos, ele destaca como a polaridade cósmica e a polaridade humana se entrelaçam, influenciando a vida social, ritual e as especulações filosóficas.

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