Ainda sobre o senso comum ou o Tio do Zap e o quanto o tema é resistente ou persistente na esfera profissional daqueles que trabalham no campo de saber enfeixado na sigla Humanidades e Ciências Sociais, rascunho hoje outra reflexão hipotética. O agir profissional desse metiê em particular não consegue se ver livre dessa peleja por dois motivos fundamentais que inauguram sua dificuldade diagnóstica. Primeiro, pelo uso da linguagem corrente para a manufatura simbólica especializada, que é a mesma em circulação franca e compõe a manufatura simbólica do cotidiano. Depois, porque, em última apreciação, o agir profissional desse fazer, sua práxis diferencial, incide não por acaso, mas fundamentalmente, sobre o senso comum como a totalidade das trocas simbólicas das comunidades humanas. Por isso, ele é o objeto e o campo da práxis do especialista em Humanidades.

Leia mais

A circulação de narrativas que pretendem explicar a complexidade do real a partir da vida privada não constitui um fenômeno inédito para as Ciências Sociais. Émile Durkheim [2007], ao estabelecer o método sociológico, já alertava para a resistência que os valores da cultura geral e as pré-noções impõem ao esforço científico na busca pela verdade. No cenário contemporâneo, essa força do senso comum projeta sobre a realidade política um conjunto de ideias que, embora carentes de rigor, possuem uma eficácia prática devastadora. Tais narrativas motivam o engajamento em campos ideológicos que sustentam, por meio do voto e da anuência, grupos que ocupam o poder de fato.

Leia mais

Pela primeira vez em nossa trajetória de publicações virtuais, apresentamos uma organização temática integral de toda a produção intelectual publicada no portal amf3.com.br. Este levantamento e a estruturação geral do conteúdo foram realizados com o suporte da Aspásia, nossa inteligência artificial dedicada, que permitiu catalogar por temas todo o nosso acervo do site.
Este mapa conceitual é uma ferramenta auxiliar para guiar os interesses de nossos leitores e pesquisadores. Atualmente, contamos com mais de mil textos produzidos, distribuídos entre postagens reflexivas, páginas conceituais e trabalhos. Informamos que estamos em processo contínuo de revisão para ampliar este mapa até que ele contemple a totalidade absoluta dos conteúdo do site, visto que a lista presente ainda não está completa.

Leia mais

A querela histórica envolvendo a figura do Papai Noel, a propaganda da Coca-Cola e a Igreja Católica na França de 1951 não deve ser reduzida a uma mera disputa de marketing versus religião. Trata-se de um episódio sintomático da tensão cultural do pós-guerra, momento em que a Europa, via Plano Marshall, recebia não apenas auxílio econômico, mas também a exportação do “American Way of Life”. Embora a cor vermelha das vestes de São Nicolau antecede a Coca-Cola, foi a massificação da imagem criada pelo ilustrador Haddon Sundblom para a multinacional, a partir de 1931, que cristalizou a versão profana e comercial do “Père Noël”. Na França do início da década de 1950, essa figura passou a ser vista pelo clero não como uma fantasia inocente, mas como um vetor de paganização que ameaçava o sentido teológico da Natividade.

Leia mais

O conhecimento acadêmico não deve ficar restrito aos especialistas. Nesta série audiovisual, assumo o compromisso da divulgação científica ao traduzir conceitos complexos das Ciências das Religiões para uma linguagem acessível a todos. O objetivo é oferecer ferramentas analíticas rigorosas para que a sociedade compreenda o fenômeno religioso, a laicidade e os direitos humanos para além do senso comum e dos dogmatismos.

Leia mais

Léxico AMF3 – Definições Fundamentais

Para o pesquisador, a clareza conceitual antecede o debate. Reuni neste léxico as definições basilares que estruturam o pensamento desta Escola. Aqui encontra-se a delimitação precisa de termos fundamentais como “Filosofia Antiga”, “Iniciação”, “Pedagogia” e “Teologia”, afastando o senso comum e estabelecendo o vocabulário técnico necessário para o aprofundamento nos nossos estudos.

Leia mais

Bem-vindo à AMF3 – Escola de Filosofia.

Com um acervo que ultrapassa novecentas publicações, este site funciona como uma biblioteca de investigação em Filosofia e Ciências das Religiões. Para orientar os seus estudos e evitar a dispersão, organizei este roteiro de leitura que agrupa os textos essenciais em três trilhas temáticas: o estudo crítico da Maçonaria e do Sagrado, a Filosofia como modo de vida e os desafios da Educação contemporânea.

Utilize este índice como ponto de partida para sua navegação.

Leia mais

O texto apresenta excertos do curso de Maurice Merleau-Ponty no Collège de France, intitulado “A Natureza”, ministrado entre 1957 e 1960. A obra, que aprofunda teses anteriores do filósofo, como as de Estrutura do Comportamento e Fenomenologia da Percepção, busca fundamentar uma filosofia da história anti-idealista através da filosofia da Natureza. O curso explora a complexa relação entre o corpo, a liberdade e a história, argumentando que a liberdade se expressa através de uma situação corpórea, e discute extensivamente o conceito de Natureza em diversas tradições filosóficas, como a aristotélica, estoica, cartesiana e kantiana. Além disso, a análise examina as implicações filosóficas da ciência moderna, especialmente a física (conceitos de causalidade e tempo em Laplace, Einstein e a mecânica quântica) e a biologia contemporânea (noções de comportamento, instinto, Umwelt de Uexküll e a ontogênese em Driesch), contrastando o mecanicismo e o vitalismo com uma visão da Natureza como estrutura, totalidade e interser. O tema central perpassa a tentativa de definir um ser que não é pura coisa nem espírito puro, mas uma dupla natureza ou simbolismo, crucial para entender o organismo, a percepção e a intercorporeidade.

Leia mais

As Sete Artes Liberais, um currículo educacional com raízes na Antiguidade Clássica e formalizado na Idade Média, representam um legado intelectual de inestimável valor. Tradicionalmente divididas em Trivium (gramática, lógica e retórica) e Quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia), essas disciplinas visavam a formação do scholar [monges, raramente leigos aristocratas] capaz de participar ativamente da “vida pública” [para época, no âmbito eclesiástico, nas escolas e universidades da época, administração régia e episcopal] e de desenvolver plenamente suas capacidades intelectuais.

Leia mais

O presente roteiro tem como objetivo aproximar o leitor do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), em particular do tema das cinco viagens do Companheiro maçom, à obra de Carl Gustav Jung, O homem e seus símbolos. De modo preliminar, pretende-se destacar as possíveis comparações entre os elementos simbólicos presentes nas cinco viagens e as reflexões de Jung sobre a manifestação do inconsciente por meio dos símbolos. Essa aproximação busca oferecer ao leitor uma ponte interpretativa entre a tradição ritualística maçônica e a análise psicológica dos símbolos, proporcionando uma leitura enriquecida e ampliada dos significados contidos no REAA à luz da perspectiva junguiana. Essa aproximação não é no sentido de que há um caminho lógico entre as partes, mas que pela similaridade, pode-se ampliar a leitura de um texto simbólico com comparações como essa que aqui vamos fazer.

Leia mais

30/846