Segunda Instrução de Comp.'. Maçom - REAA

PEÇA DE ARQUITETURA

Prolegômenos ao Estudo do Grau de Companheiro

Drd. Cídio Lopes de Almeida

Nota da 3ª Reedição (2026): O texto a seguir constitui uma revisão de um material da 2ª edição produzido em 2020. O texto original é de 22 de março de 2014. Sua brevidade é intencional, o leitor precisa estar com o Ritual de Companheiro em mãos e, particularmente, a Segunda Instrução do Grau em tela, e sua função primordial é instituir uma propedêutica, ou seja, um jeito novo de ler e estudar um dado conteúdo. A ideia não é cobrir toda a Instrução, mas apenas começar perspectivando que o adepto Companheiro Maçom possa dar sequência no restante da leitura de estudo. Espera-se que este marco inicial forneça ao interessado uma amostra prática de como ele próprio poderá dar sequência ao seu exercício de investigação.

A presente “peça de arquitetura” (resenha) tem como finalidade primordial instituir uma nova propensão metodológica frente ao ato de ler e estudar os temas maçônicos. O horizonte aqui traçado não é o de esgotar o tema, mas o de fornecer uma bússola para que o interessado possa, por iniciativa própria, conferir consistência ao seu exercício de investigação intelectual sobre temas do circuito de formação maçônica. Trata-se de uma amostra prática de um método que visa a autonomia do estudante na condução de seus próprios progressos.

Este texto elege como seu leitor fundamental o Companheiro Maçom. Compreende-se que sua eficácia plena está intrinsecamente vinculada à articulação entre esta leitura e o manuseio constante do manual e ritual do R.˚.E.˚.A.˚. A.˚.. Ademais, este processo formativo deve ser indissociável das interações diretas com aqueles responsáveis pela instrução em Loja. Somente através dessa tríade — texto, ritual e orientação — é que o processo formativo do Companheiro poderá, de fato, avançar. Oferecemos aqui, portanto, uma chave exegética para a compreensão das instruções contidas no Grau.

É imperativo reconhecer que o ato da leitura comporta diversas modalidades e finalidades. O que aqui propomos é especificamente a leitura de estudo, um ofício que demanda uma temporalidade distinta, marcadamente mais lenta e reflexiva. O grande desafio imposto pela cultura contemporânea da pressa é justamente superar o anseio pelo consumo rápido e superficial de informações. O estudo maçônico exige que o estudante anote, retorne ao parágrafo, questione e releia.

Esta experiência diferencia-se drasticamente da leitura funcional de um jornal ou de uma sinalização urbana. Enquanto a leitura cotidiana visa a utilidade imediata e o descarte, a leitura de estudo visa a sedimentação do conhecimento e a transformação do intelecto. Compreender essa distinção metodológica é a salvaguarda necessária para que o iniciado não abandone a disciplina de estudos que este texto lhe propõe.

Dada a natureza técnica e simbólica dos temas abordados, este conteúdo destina-se rigorosamente ao Companheiro Maçom. É sob a ótica da experiência vivida neste grau, ou nos graus subsequentes, que a apreensão e o aproveitamento deste conhecimento tornam-se plenamente possível, resguardando a gradação necessária ao desenvolvimento da consciência e do saber maçônico.

O Exercício de leitura do Ritual

A correta apreensão dos símbolos exige que tomemos as metáforas primordialmente por sua função, pois é nela que reside sua verdadeira acepção filosófica. Nesse sentido, a "coluna" define-se por sua capacidade de sustentar; já o "Templo" configura-se como o espaço deliberadamente preparado para a materialização de realidades não físicas, as quais, contudo, interferem diretamente na disposição das coisas próprias da existência humana. Conforme as teses de Mircea Eliade sobre o espaço sagrado, o ato de entrar no Templo, tal como prescrito no ritual, apresenta-se como um convite para o ingresso em um domínio metafísico. Trata-se, em última análise, de um movimento para o interior de um corpo de conhecimento específico.

A obtenção desses saberes abstratos, justamente por possuírem esse caráter metafísico [conceitual e simbólico], impõe ao iniciado a exigência de esforço ou força. Dentro desta perspectiva, retomamos o papel das colunas: se sua função é sustentar, podemos compreendê-las metaforicamente como a necessidade de sustentação tanto da entrada no Templo quanto do próprio Templo enquanto edifício de ideias. O Templo, enquanto repositório de um saber abstrato, carece de ser sustentado pelo intelecto e pela vontade do iniciado. Logo, adentrar nesta senda de conhecimentos maçônicos exige do interessado a capacidade ética e intelectual de sustentar a própria empreitada de aprendizado.

A fundamentação ritualística para esta interpretação encontra-se explicitada no diálogo instrutivo do Grau: ao serem questionados sobre o que prendia a atenção dos Companheiros ao entrarem no Templo de Jerusalém, o Orador esclarece que sua percepção era despertada por duas grandes Colunas. A da esquerda, denominada B.’., simboliza a Força; a da direita, chamada J.’., carrega o significado de Estabelecimento, em alusão direta à promessa contida nas palavras de Deus [para aqueles que são adeptos do cristianismo]: “Na minha Força, Eu apoiarei esta Minha Casa, a fim de que se mantenha para todo o sempre”. Assim, a estabilidade do conhecimento (a Casa) está ligada à Força empregada em sua sustentação.

[A resenha continuará em outro texto]


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