A Corda de 81 Nós - AMF3 Escola de Filosofia

A Corda de 81 Nós

Uma Reflexão Simbólica sobre Fraternidade e Cosmos

Nos templos maçônicos, particularmente naqueles que adotam o REAA, suspensa logo abaixo da abóbada celeste onde se contemplam o Sol, a Lua e as constelações zodiacais, encontra-se a emblemática Corda de 81 Nós. Trata-se, em verdade, não de nós propriamente ditos, mas de laços entrelaçados — os "Lacs d'Amour" da tradição francesa —, distribuídos simetricamente: quarenta de cada lado das paredes do templo e um laço central situado atrás do trono do Venerável Mestre, no eixo longitudinal da Loja, completando assim o conjunto de oitenta e um elementos. Esta disposição arquitetônica não é arbitrária, mas carregada de significados que transcendem a mera ornamentação, constituindo-se em verdadeiro compêndio simbólico da Arte Real.

União Fraterna e Delimitação Sagrada

O simbolismo primordial atribuído a esta Corda, conforme nos ensina Ricardo da Camino em suas obras sobre simbologia maçônica, reside na representação da união fraterna que deve vincular indissoluvelmente os Irmãos, formando uma cadeia inquebrável de solidariedade e amor fraternal. Simultaneamente, este elemento cumpre função de delimitação sagrada do espaço ritualístico, simbolizando a segurança e o isolamento do templo durante as sessões, estabelecendo uma fronteira entre o mundo profano e o sagrado recinto onde se realizam os trabalhos maçônicos. As extremidades desta corda pendem estrategicamente dos dois lados da porta de entrada ao templo, ornamentadas com borlas — pingentes decorativos que, além de prevenirem o desfiamento da corda, representam a Justiça e a Equidade, virtudes cardeais que devem permear todas as relações entre os membros da Fraternidade.

Determinados estudiosos da tradição hermética e maçônica, mas não todos, avançam interpretações ainda mais profundas acerca destas borlas terminais. Por constituírem as pontas da corda, seriam capazes de promover a magnetização ou mesmo a eletromagnetização do ambiente, funcionando como autênticos "purificadores energéticos" para aqueles que adentram o templo.

Esta interpretação, embora possa parecer exótica aos olhos contemporâneos, encontra respaldo nas antigas concepções sobre a circulação de forças sutis e na importância da preparação anímica para o ingresso em espaços sagrados, conceito amplamente difundido nas tradições esotéricas que influenciaram a Maçonaria.

Evolução Histórica: De Doze a Oitenta e Um

A evolução histórica da representação desta Corda revela aspectos significativos de sua simbologia. Nos painéis mais antigos, como o célebre Painel de Aprendiz concebido por Oswald Wirth — referência iconográfica fundamental estudada por Ricardo da Camino —, figuravam apenas doze nós, correlacionados diretamente com os doze signos zodiacais. Segundo o Dicionário de Figueiredo e outras fontes tradicionais, estes signos deveriam estar distribuídos harmoniosamente pelas paredes do templo, abrangendo tanto o Ocidente quanto o Oriente, e não concentrados apenas no Ocidente, como erroneamente se observa em diversos templos contemporâneos. Esta distribuição equilibrada reforçaria a integração do templo com o cosmos, estabelecendo correspondências entre o microcosmo ritual e o macrocosmo universal.

A Questão Numerológica

Surge então a questão fundamental que inquieta os estudiosos: por que precisamente 81 nós, e não apenas os doze representados por Oswald Wirth em seu painel clássico? Autores respeitáveis da literatura maçônica, como salienta Ricardo da Camino em suas análises numerológicas, estabelecem que o número 81 vincula-se intrinsecamente aos números sagrados 3 e 9: três multiplicado por três resulta em nove; nove multiplicado por nove alcança oitenta e um. Esta progressão geométrica dos números fundamentais da Maçonaria — o ternário e o novenário — revela camadas de significado iniciático e cosmológico. Contudo, permanece a indagação: esta numerologia relativa aos números três e nove não seria uma elaboração posterior, desenvolvida apenas após a consolidação do painel de doze nós de Wirth? Tratar-se-ia de uma evolução simbólica ou de uma redescoberta de conhecimentos mais antigos?

Multiplicidade Interpretativa

Ricardo da Camino nos ensina que subjacente a todo e qualquer símbolo existe uma multiplicidade quase infinita de interpretações válidas, todas merecedoras do maior respeito e consideração, pois dependem essencialmente da perspectiva hermenêutica, do grau de conhecimento e da sensibilidade espiritual daquele que os interpreta. Observando que a Corda de 81 Nós está suspensa imediatamente abaixo do teto do templo, onde se contempla a abóbada celeste com suas constelações, o Sol e a Lua, circundando simbolicamente todo o "universo celeste", não poderíamos vislumbrar neste elemento uma representação espacial das distâncias cósmicas fundamentais — especificamente, da Terra à Lua e da Terra ao Sol? Considere-se que a distância média da Terra ao Sol corresponde precisamente a 81 vezes a distância média da Terra à Lua, uma proporção astronômica conhecida desde a Antiguidade por algumas escolas iniciáticas. Não estaria aqui codificado mais um dos conhecimentos que, em épocas de obscurantismo, eram proibidos de divulgação pública?

Conhecimento Velado e Repressão Histórica

Não podemos olvidar as perseguições sofridas por Galileu Galilei e Nicolau Copérnico, que enfrentaram tremendas pressões eclesiásticas e sociais para não divulgarem suas descobertas astronômicas, as quais, embora inicialmente condenadas como heréticas, foram posteriormente reconhecidas e universalmente aceitas pela ciência. A Maçonaria, historicamente, serviu como refúgio para o pensamento livre e para a preservação de conhecimentos científicos e filosóficos durante períodos de repressão intelectual. Seria descabido imaginar que a Corda de 81 Nós pudesse constituir-se em velada referência a proporções astronômicas fundamentais, transmitidas simbolicamente aos iniciados enquanto o mundo profano permanecia mergulhado na ignorância imposta?

Prezados Irmãos, cabe a cada um de nós, seguindo o método maçônico de investigação racional e intuitiva, analisar profundamente e estudar criteriosamente se esta teoria merece aceitação ou reformulação, contribuindo assim para o enriquecimento da compreensão do simbolismo multifacetado da Corda de 81 Nós, este elemento aparentemente simples, mas profundamente revelador dos mistérios que a Arte Real preserva em seus rituais e símbolos.

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