A Condição Docente e os Limites do Ensino Virtual
A questão da docência no Brasil contemporâneo é profunda e exige uma análise paciente sobre as conexões que revelam a marginalização do ensinar sob a égide do capital. Atualmente, observa-se uma super-inflação do tema da Educação a Distância (EAD), impulsionada por interesses econômicos que pressionam a pedagogia a uma aceitação acrítica. Embora a internet se apresente como um meio revolucionário, ela não possui uma natureza totalizante.
Creio que o virtual é incapaz de transmitir a totalidade da experiência entre dois seres humanos. Ao amputar partes dos sentidos e concentrar-se apenas na visão e na audição, a mediação tecnológica exclui o tato, o olfato e o paladar. Mesmo considerando estes sentidos, há uma carga de comunicação inconsciente que se perde na virtualidade. Entretanto, do ponto de vista do mercado, a EAD é um negócio extremamente promissor, disparando em viabilidade econômica perante os modelos tradicionais.
É necessário encontrar um meio termo. A internet democratiza o acesso a informações de diversas naturezas, mas o processo de cognição humana permanece biológico. O saber não nos atinge por um cabo de fibra ótica, mas pelas vias milenares dos sentidos. Nesse contexto, considero preocupante que a primeira formação acadêmica ocorra integralmente na modalidade EAD. Furtar o estudante da convivência acadêmica, das bibliotecas e dos debates presenciais é amputar a formação de profissionais que efetivamente possuam um nível superior.
Atualmente, um número expressivo de cursos de licenciatura é realizado nesta modalidade. Para muitos centros universitários, esta tornou-se a única forma de manter tais cursos devido à baixa procura pelas licenciaturas, reflexo do baixo estatuto social conferido ao professor. A EAD consegue aglutinar pessoas distantes e formar turmas, embora apresente índices de desistência altíssimos.
Em minha experiência docente no ensino virtual, notei que as turmas com encontros presenciais periódicos obtinham mais êxito. O vínculo estabelecido no compartilhamento do espaço e do tempo, como no ato de almoçar juntos, motivava a realização das atividades no ambiente virtual. O aprendizado, portanto, parece depender fundamentalmente do vínculo e da presença.
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