Da Sociabilidade Fraternal ao Objeto de Estudo Acadêmico
Minha aproximação com a Maçonaria remonta a um período considerável, cuja extensão omito apenas para preservar a discrição sobre minha própria senioridade. Este interesse desenvolveu-se em constante diálogo com minhas formações acadêmicas em Filosofia e Teologia, ambas concluídas antes mesmo de meu contato direto nessa sociabilidade ilustrada. Ao longo dessa trajetória, busquei estabelecer uma dialética que integrasse o rigor da formação crítica, em seu sentido técnico e erudito, à dimensão de sociabilidade filosófica que a maçonaria sempre se mostrou em minhas leituras e interpretações mais elaboradas.
O Império Ataca e o Tio do Zap sofre Ataque
O título é provocativo, mas visa orbitar uma questão desenvolvida em outras duas resenhas de opinião, nas quais se colocava em tela o problema da manufatura simbólica operacionalizada por uma cultura de senso comum sobre temas que pretendem definir a totalidade da realidade. Vale, nesta abertura, registrar que minha questão não reside no desdém por um tipo de conhecimento partilhado no espaço público; a crítica dirige-se ao fato de esse saber ter se tornado simplório, raso, vulgar e soberbo, sendo incapaz de perceber seus próprios limites. Um saber geral, compartilhado na esfera da cidadania, não deveria ser confundido com o que é simplificado, simplista ou superficial. A crítica reside justamente nessa dupla relação, o saber geral tornou-se raso e brutal, bem como não reconhece os seus próprios limites.
Humanidades e o Tio do Zap
Ainda sobre o senso comum ou o Tio do Zap e o quanto o tema é resistente ou persistente na esfera profissional daqueles que trabalham no campo de saber enfeixado na sigla Humanidades e Ciências Sociais, rascunho hoje outra reflexão hipotética. O agir profissional desse metiê em particular não consegue se ver livre dessa peleja por dois motivos fundamentais que inauguram sua dificuldade diagnóstica. Primeiro, pelo uso da linguagem corrente para a manufatura simbólica especializada, que é a mesma em circulação franca e compõe a manufatura simbólica do cotidiano. Depois, porque, em última apreciação, o agir profissional desse fazer, sua práxis diferencial, incide não por acaso, mas fundamentalmente, sobre o senso comum como a totalidade das trocas simbólicas das comunidades humanas. Por isso, ele é o objeto e o campo da práxis do especialista em Humanidades.
O Antropomorfismo Político e a Miséria do Senso Comum
A circulação de narrativas que pretendem explicar a complexidade do real a partir da vida privada não constitui um fenômeno inédito para as Ciências Sociais. Émile Durkheim [2007], ao estabelecer o método sociológico, já alertava para a resistência que os valores da cultura geral e as pré-noções impõem ao esforço científico na busca pela verdade. No cenário contemporâneo, essa força do senso comum projeta sobre a realidade política um conjunto de ideias que, embora carentes de rigor, possuem uma eficácia prática devastadora. Tais narrativas motivam o engajamento em campos ideológicos que sustentam, por meio do voto e da anuência, grupos que ocupam o poder de fato.
Mapa do Site AMF3: Uma Jornada Intelectual Através de Nossos Post
Mapa do Site AMF3 | Escola de Filosofia Mapa do Site AMF3 Uma jornada intelectual através de nossos posts: filosofia, maçonaria e educação. Explore nosso acervo com mais de 900 postagens. Este mapa foi estruturado para oferecer um caminho claro pela nossa produção intelectual ao longo dos anos. Eixos de Conteúdo Filosofia de Vida Maçonaria como Escola Filosofia Aplicada Filosofia e Educação Ensino Religioso Filosofia como Exercício Filosofia e Sociologia Filosofia e Maçonaria Maçonaria…
Papai Noel da Coca Cola
A querela histórica envolvendo a figura do Papai Noel, a propaganda da Coca-Cola e a Igreja Católica na França de 1951 não deve ser reduzida a uma mera disputa de marketing versus religião. Trata-se de um episódio sintomático da tensão cultural do pós-guerra, momento em que a Europa, via Plano Marshall, recebia não apenas auxílio econômico, mas também a exportação do “American Way of Life”. Embora a cor vermelha das vestes de São Nicolau antecede a Coca-Cola, foi a massificação da imagem criada pelo ilustrador Haddon Sundblom para a multinacional, a partir de 1931, que cristalizou a versão profana e comercial do “Père Noël”. Na França do início da década de 1950, essa figura passou a ser vista pelo clero não como uma fantasia inocente, mas como um vetor de paganização que ameaçava o sentido teológico da Natividade.
Ciências das Religiões no Espaço Público
O conhecimento acadêmico não deve ficar restrito aos especialistas. Nesta série audiovisual, assumo o compromisso da divulgação científica ao traduzir conceitos complexos das Ciências das Religiões para uma linguagem acessível a todos. O objetivo é oferecer ferramentas analíticas rigorosas para que a sociedade compreenda o fenômeno religioso, a laicidade e os direitos humanos para além do senso comum e dos dogmatismos.
Léxico AMF3
Léxico AMF3 – Definições Fundamentais
Para o pesquisador, a clareza conceitual antecede o debate. Reuni neste léxico as definições basilares que estruturam o pensamento desta Escola. Aqui encontra-se a delimitação precisa de termos fundamentais como “Filosofia Antiga”, “Iniciação”, “Pedagogia” e “Teologia”, afastando o senso comum e estabelecendo o vocabulário técnico necessário para o aprofundamento nos nossos estudos.
Trilhas de Estudo
Bem-vindo à AMF3 – Escola de Filosofia.
Com um acervo que ultrapassa novecentas publicações, este site funciona como uma biblioteca de investigação em Filosofia e Ciências das Religiões. Para orientar os seus estudos e evitar a dispersão, organizei este roteiro de leitura que agrupa os textos essenciais em três trilhas temáticas: o estudo crítico da Maçonaria e do Sagrado, a Filosofia como modo de vida e os desafios da Educação contemporânea.
Utilize este índice como ponto de partida para sua navegação.
A Natureza: Curso do Collège de France.
O texto apresenta excertos do curso de Maurice Merleau-Ponty no Collège de France, intitulado “A Natureza”, ministrado entre 1957 e 1960. A obra, que aprofunda teses anteriores do filósofo, como as de Estrutura do Comportamento e Fenomenologia da Percepção, busca fundamentar uma filosofia da história anti-idealista através da filosofia da Natureza. O curso explora a complexa relação entre o corpo, a liberdade e a história, argumentando que a liberdade se expressa através de uma situação corpórea, e discute extensivamente o conceito de Natureza em diversas tradições filosóficas, como a aristotélica, estoica, cartesiana e kantiana. Além disso, a análise examina as implicações filosóficas da ciência moderna, especialmente a física (conceitos de causalidade e tempo em Laplace, Einstein e a mecânica quântica) e a biologia contemporânea (noções de comportamento, instinto, Umwelt de Uexküll e a ontogênese em Driesch), contrastando o mecanicismo e o vitalismo com uma visão da Natureza como estrutura, totalidade e interser. O tema central perpassa a tentativa de definir um ser que não é pura coisa nem espírito puro, mas uma dupla natureza ou simbolismo, crucial para entender o organismo, a percepção e a intercorporeidade.
